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Phubbing: quando o celular rouba a atenção do parceiro

Por Dra. Mônica Belarmino, Psicóloga CRP 06/142333

Homem e mulher sentados em lados opostos de um sofá, cada um olhando o próprio celular, cena comum de phubbing no relacionamento

Resposta rápida

Phubbing no relacionamento é o hábito de ignorar o parceiro para dar atenção ao celular, mesmo estando lado a lado. A palavra junta phone (telefone) e snubbing (esnobar). Pesquisas associam esse comportamento a mais conflitos e menor satisfação no casal. Combinados simples, como refeições sem celular, ajudam a recuperar a atenção mútua.

Vocês estão no mesmo sofá, na mesma mesa de jantar, na mesma cama. E, mesmo assim, parece que cada um está num lugar diferente, iluminado pela tela do próprio celular. Se essa cena é familiar, ela tem nome: phubbing no relacionamento.

A palavra junta phone (telefone) e snubbing (esnobar). Descreve o hábito de ignorar quem está com você para dar atenção ao aparelho. Não é preciso ter uma briga, nem um segredo, nem uma crise. Basta a soma de pequenos momentos em que o outro fala e você responde “hum”, sem tirar os olhos da tela.

A boa notícia é que esse é um dos problemas de casal mais fáceis de identificar e, com combinados realistas, um dos mais possíveis de ajustar. Neste texto, explico de onde vem o termo, o que a pesquisa mostra e o que vocês podem fazer, a partir de hoje.

O que é phubbing e de onde veio esse termo?

Phubbing é o ato de ignorar alguém que está presente para dar atenção ao celular. O termo surgiu em 2012, na Austrália, numa campanha ligada ao dicionário Macquarie, que reuniu escritores e especialistas em linguagem para dar nome a esse comportamento. Quando acontece entre parceiros, pesquisadores chamam de partner phubbing.

A palavra nasceu quase como brincadeira, mas pegou porque descrevia algo que todo mundo reconhecia e não sabia nomear. Hoje ela aparece em estudos científicos sobre relacionamentos, em escolas e em consultórios.

Uma ideia parecida é a de technoference, termo usado por pesquisadores para falar das interrupções do dia a dia que a tecnologia causa nas interações do casal: a notificação no meio da conversa, a série que ninguém pausa, o e-mail de trabalho respondido no jantar. Um estudo da Penn State com mulheres em relacionamentos estáveis encontrou associação entre mais interferência da tecnologia, mais conflito sobre o uso dos aparelhos e menor satisfação com a relação.

O que a pesquisa diz sobre o phubbing no casal?

Um estudo da Universidade Baylor, nos Estados Unidos, com 453 adultos, mostrou que 46,3% relataram já ter sido ignorados pelo parceiro por causa do celular e 22,6% disseram que isso causou conflito no relacionamento. Os pesquisadores observaram que o phubbing estava associado a menor satisfação no relacionamento.

O estudo de James Roberts e Meredith David, publicado na revista Computers in Human Behavior, criou inclusive uma escala para medir esse comportamento entre parceiros. Um achado chama a atenção de quem trabalha com casais: pessoas com estilo de apego ansioso, ou seja, mais inseguras na relação, relataram mais conflitos ligados ao celular do que pessoas com apego mais seguro.

Uma ressalva honesta: esses estudos mostram associação, e não necessariamente causa. Pode ser que o celular afaste o casal, e pode ser também que casais já distantes se refugiem mais na tela. Na prática clínica, as duas coisas costumam se alimentar.

Por que isso machuca tanto, se é “só um celular”?

Porque, emocionalmente, a mensagem que chega não é “estou vendo uma notícia”. É “isso aqui é mais interessante que você”. Ninguém fala isso em voz alta, mas o corpo sente.

A teoria do apego ajuda a entender. Em relações próximas, buscamos sinais de que o outro está disponível: um olhar, uma resposta, um interesse genuíno pelo que contamos. Quando esses sinais são trocados repetidamente por uma tela, o sistema de apego interpreta como distância. Em quem já tem tendência à insegurança, isso pode virar ciúme, cobrança ou retraimento.

Como saber se o celular está atrapalhando o relacionamento?

O celular está atrapalhando quando vocês passam muito tempo juntos sem conversar de verdade, quando um dos dois se sente ignorado com frequência, quando refeições e momentos a dois são interrompidos o tempo todo ou quando o aparelho vira motivo recorrente de briga. A frequência importa mais do que um episódio isolado.

Você pode estar vivendo phubbing na relação se:

  • Conversas são interrompidas por notificações quase sempre.
  • Você conta algo importante e percebe que o outro não ouviu.
  • As refeições juntos acontecem com pelo menos um celular na mesa.
  • Antes de dormir, cada um fica na sua tela até pegar no sono.
  • Vocês já discutiram mais de uma vez por causa do celular.
  • Você mesmo pega o aparelho quando o clima fica tenso ou entediante.

O último item é importante. Phubbing raramente é coisa de um só. Muitas vezes, os dois fazem, cada um do seu jeito, e cada um enxerga melhor o comportamento do outro.

Se vocês já tentaram resolver isso sozinhos e a conversa sempre termina em acusação, me chame no WhatsApp. Podemos entender juntos o que está por trás desse distanciamento.

Por que é tão difícil largar o celular perto do parceiro?

Porque o celular oferece recompensas rápidas e imprevisíveis, como uma mensagem, uma curtida ou um vídeo novo, enquanto a conversa a dois exige presença, paciência e, às vezes, lidar com assuntos difíceis. Em dias cansativos, o cérebro tende a escolher o caminho mais fácil. Isso não é falta de amor. É hábito.

Em mais de 15 anos atendendo casais em Barueri e Alphaville, vejo que o celular raramente é a causa original do afastamento. Ele costuma ocupar um espaço que já estava vazio: conversas que não aconteciam mais, um conflito evitado, um cansaço acumulado. A tela vira um jeito confortável de não precisar olhar para isso.

Na lente da terapia cognitivo-comportamental

Na TCC, olhamos para a sequência que transforma um gesto pequeno em afastamento:

  1. Situação: o parceiro pega o celular enquanto você conta sobre o seu dia.
  2. Pensamento automático: “ele não liga para o que eu falo”.
  3. Emoção: tristeza, irritação, sensação de rejeição.
  4. Comportamento: você se cala ou pega o seu celular também.
  5. Resultado: os dois ficam mais distantes, e a ideia de que “a gente não conversa mais” ganha força.

Romper esse ciclo não depende só de largar o aparelho. Depende também de nomear o que você sentiu e fazer um pedido claro, em vez de se retrair ou acusar.

Que combinados práticos ajudam a reduzir o phubbing?

Combinados que funcionam são simples, valem para os dois e definem momentos protegidos, como refeições, a primeira meia hora depois de chegar em casa e o tempo antes de dormir. Também ajuda desligar notificações não essenciais, criar um lugar fixo para o celular e combinar um sinal leve para avisar quando um dos dois se distraiu.

Aqui vão algumas ideias que muitos casais adaptam à própria rotina:

  1. Mesa sem celular. Durante as refeições, os aparelhos ficam fora da mesa, de preferência em outro cômodo.
  2. Chegada protegida. Nos primeiros 20 ou 30 minutos depois que os dois chegam em casa, a prioridade é perguntar como foi o dia.
  3. Quarto mais livre de telas. Um carregador fora do quarto, ou pelo menos um horário combinado para guardar o celular antes de dormir.
  4. Notificações enxutas. Desligar alertas de aplicativos que não são urgentes reduz muito as interrupções.
  5. Sinal combinado. Um gesto leve, uma palavra engraçada, algo que lembre “ei, estou aqui” sem virar bronca.
  6. Aviso antes de pegar o celular. “Vou responder uma mensagem do trabalho rapidinho” muda completamente o efeito do gesto.
  7. Um momento a dois na semana. Uma caminhada, um café, uma série escolhida junto, com celular no silencioso.
  8. Revisão do combinado. Depois de duas ou três semanas, conversem sobre o que funcionou e o que precisa ajustar.

Imagine uma situação comum

Pense num casal em que ele trabalha com atendimento e recebe mensagens de clientes até tarde, e ela fica no celular vendo vídeos quando ele está ocupado. Os dois reclamam um do outro e nenhum se sente ouvido.

Em vez de discutir quem usa mais, eles combinam três coisas: ele avisa quando precisar responder alguém, o jantar é sem celular para os dois e, no domingo, fazem um passeio sem tela. Não resolve tudo de um dia para o outro. Mas a sensação de “estamos juntos de novo” começa a voltar.

O que não fazer quando o celular vira briga no casal?

Evite fiscalizar o celular do parceiro, fazer comentários irônicos em público, impor regras que só valem para o outro, transformar todo uso do aparelho em prova de desinteresse ou responder com o mesmo comportamento por vingança. Essas atitudes deslocam a conversa do vínculo para o controle e costumam aumentar a distância.

  • Pegar o celular do outro para ver com quem ele está falando.
  • Dizer “você casou com esse celular” na frente de amigos.
  • Exigir que o parceiro largue o aparelho enquanto você continua no seu.
  • Esperar acumular semanas para desabafar tudo de uma vez.
  • Interpretar qualquer uso do celular como falta de amor.
  • Ignorar o outro de propósito para que ele “sinta na pele”.

Mito ou verdade sobre phubbing

Algumas ideias sobre o uso do celular no casal são repetidas sem muita reflexão e acabam atrapalhando a conversa. Separar o que é mito do que é verdade ajuda vocês a tratarem o assunto com menos culpa e mais clareza.

  • “Phubbing é coisa de gente jovem.” Mito. Acontece em qualquer idade, em namoros recentes e em casamentos longos.
  • “O problema é sempre de quem usa mais o celular.” Mito. Muitas vezes os dois participam do ciclo, cada um à sua maneira.
  • “Pequenos combinados fazem diferença.” Verdade. Proteger alguns momentos do dia já muda a sensação de presença entre o casal.

Como a terapia de casal online pode ajudar?

A terapia de casal online ajuda os dois a entenderem o que o celular está ocupando na relação, a falarem do sentimento de serem ignorados sem acusações e a construírem combinados que caibam na rotina real. Também é uma forma prática de cuidar do relacionamento sem precisar de deslocamento, de onde cada um estiver.

Na terapia, o foco não é decidir quem está certo sobre o celular. É entender o que cada um busca na tela e o que está faltando entre vocês: conversa, descanso, reconhecimento, um jeito de lidar com conflitos. O processo é individual para cada casal, e o ritmo é construído junto.

Atendo na terapia de casal online para todo o Brasil e também presencialmente em Barueri, perto de Alphaville e Tamboré. Sou a Dra. Mônica Belarmino, Psicóloga CRP 06/142333, com mais de 15 anos de experiência e mais de 16 mil atendimentos. Para conhecer melhor o meu trabalho, veja a página sobre mim ou fale comigo pela página de contato.

E se a atenção voltasse a ser o presente?

A atenção é uma das formas mais concretas de dizer “você importa”. Não precisa de horas sem celular, nem de uma vida sem tecnologia. Precisa de alguns momentos protegidos, em que o outro saiba que tem você por inteiro.

Uma frase que gosto de deixar para os casais: o celular conecta você ao mundo inteiro, mas só a sua presença conecta você a quem está do seu lado.

Se o celular tem ocupado o espaço da conversa entre vocês e vocês querem recuperar esse espaço com ajuda profissional, agende uma avaliação pelo WhatsApp, online ou presencial em Barueri.

Perguntas frequentes

O que significa phubbing?

Phubbing é a junção das palavras em inglês phone (telefone) e snubbing (esnobar, desprezar). Descreve o ato de ignorar quem está com você para dar atenção ao celular. O termo surgiu em 2012, na Austrália, numa campanha ligada ao dicionário Macquarie, e se espalhou pelo mundo.

Phubbing pode acabar com um relacionamento?

Sozinho, raramente. Mas pesquisas mostram que ele está associado a mais conflito e a menor satisfação no relacionamento. Quando o celular vira o principal jeito de fugir de conversas difíceis ou de preencher o tempo a dois, a distância emocional tende a crescer, e isso merece atenção.

Como pedir para o parceiro largar o celular sem brigar?

Fale do que você sente e do que precisa, em vez de acusar. Algo como: eu sinto falta de conversar com você no jantar, podemos deixar os celulares fora da mesa? Proponha um combinado que valha para os dois, e não uma regra só para o outro.

Terapia de casal online ajuda com problemas causados pelo celular?

Pode ajudar, sim. A terapia de casal online ajuda os dois a entenderem o que o celular está ocupando na relação, a conversarem sem acusações e a criarem combinados possíveis. E costuma ser mais fácil de encaixar na rotina, já que cada um pode participar de onde estiver.

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