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Janeiro Branco: como cuidar da saúde mental no começo do ano

Por Dra. Mônica Belarmino, Psicóloga CRP 06/142333

Mulher sentada na cama escrevendo num caderno em um quarto claro, momento calmo de cuidado com a saúde mental no Janeiro Branco

Resposta rápida

O Janeiro Branco é a campanha brasileira dedicada à promoção da saúde mental, criada por psicólogos em Uberlândia (MG) em 2014 e transformada em lei federal em 2023 (Lei 14.556). A ideia é usar o começo do ano para olhar para as emoções com a mesma seriedade com que se olha para o corpo, e buscar ajuda quando for preciso.

Janeiro chega com uma pressão curiosa. A sensação é de que tudo precisa recomeçar de uma vez: a dieta, a academia, as finanças, a carreira, o jeito de ser. E quando a segunda semana do mês chega e metade das promessas já ficou pelo caminho, vem junto a culpa.

Se você se reconhece nisso, não está sozinho. O Janeiro Branco, campanha brasileira dedicada à saúde mental, existe justamente para lembrar que cuidar das emoções também é uma prioridade de começo de ano. E que esse cuidado não precisa vir em forma de promessa impossível.

A resposta curta para quem quer começar bem é esta: troque metas grandiosas por pequenos compromissos que você consegue cumprir, observe com honestidade como está se sentindo e, se perceber que o sofrimento está atrapalhando a sua vida, procure ajuda profissional. Não precisa estar no limite para isso.

Se você quiser conversar sobre o seu momento, pode me chamar no WhatsApp e tirar suas dúvidas sobre como funciona a terapia.

O que é o Janeiro Branco e de onde veio a campanha?

O Janeiro Branco é uma campanha de conscientização sobre saúde mental que acontece todo mês de janeiro no Brasil. Ela nasceu em 2014, em Uberlândia (MG), quando psicólogos da cidade foram para as ruas conversar com as pessoas sobre emoções. Em 2023, a campanha passou a ser oficial em todo o país, com a Lei 14.556.

A lei é curta e direta. Ela institui a campanha “dedicada à promoção da saúde mental” e prevê ações de conscientização em janeiro sobre hábitos e ambientes saudáveis e sobre a prevenção de adoecimentos, com atenção especial à dependência química e à prevenção do suicídio. Você pode ler o texto completo no site do Planalto.

A escolha da cor tem um sentido bonito. O branco lembra uma página em branco, ainda por escrever. Não é a ideia de apagar o que veio antes, e sim de olhar para a própria história e decidir o que você quer cuidar daqui para frente.

Na prática, a campanha ganha forma em palestras em empresas, ações em escolas, conteúdos nas redes e conversas em unidades de saúde. Mas o efeito mais importante acontece dentro de casa: quando alguém se permite perguntar, sem julgamento, “como eu estou de verdade?”.

Por que o começo do ano mexe tanto com as emoções?

O começo do ano mexe com as emoções porque junta três coisas ao mesmo tempo: o balanço do que passou, a expectativa sobre o que vem e uma mudança brusca de rotina, com férias, festas, contas novas e filhos em casa. Esse acúmulo pode trazer ânimo, mas também ansiedade, cansaço e sensação de atraso.

Pense no que costuma acontecer entre dezembro e janeiro. O ano termina com confraternizações, encontros de família, gastos extras e, muitas vezes, pouco descanso real. Em seguida vêm as contas do começo do ano, a volta ao trabalho e a pressão de “fazer diferente desta vez”.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, que é a abordagem que eu uso no consultório, a gente presta muita atenção nos pensamentos automáticos. São aquelas frases que aparecem rápido na cabeça e parecem verdade absoluta. No começo do ano, alguns deles ficam especialmente barulhentos:

  • “Todo mundo está evoluindo, menos eu.”
  • “Se eu não mudar agora, não vou mudar nunca.”
  • “Já falhei na primeira semana, então não adianta.”
  • “Eu deveria estar mais feliz, afinal é começo de ano.”

Esses pensamentos não são sinal de fraqueza. São um jeito do cérebro tentar dar conta de muita informação e muita expectativa ao mesmo tempo. O problema é quando a gente acredita neles sem questionar e passa a se cobrar como se fossem fatos.

O efeito das redes sociais em janeiro

Janeiro é o mês das retrospectivas, das listas de metas e das fotos de viagem. Quem rola o feed vê só o recorte bonito da vida dos outros e compara com o próprio bastidor, com as contas, o cansaço e a bagunça. Essa comparação é injusta por definição, e costuma alimentar a sensação de estar sempre atrás.

Como criar metas emocionais realistas para o ano?

Uma meta emocional realista é pequena, concreta e depende de você. Em vez de “ser menos ansioso” ou “ser feliz”, ela descreve um comportamento que você consegue repetir e observar, como dormir num horário mais regular ou fazer uma pausa de dez minutos por dia. O foco sai do resultado ideal e vai para o processo possível.

Uma forma simples de testar a sua meta é perguntar: eu consigo saber, no fim da semana, se fiz ou não fiz? Se a resposta for “depende de como eu me sentir”, a meta provavelmente está vaga demais.

Veja a diferença entre alguns exemplos:

Meta que costuma frustrarMeta mais realista
“Nunca mais vou sentir ansiedade.”“Quando eu perceber a ansiedade subindo, vou fazer três minutos de respiração antes de reagir.”
“Vou ser uma pessoa mais calma.”“Vou deixar o celular fora do quarto pelo menos quatro noites por semana.”
“Vou resolver todos os meus problemas emocionais.”“Vou marcar uma conversa com uma psicóloga até o fim do mês.”
“Vou parar de me cobrar.”“Quando eu errar, vou anotar o que aprendi em vez de repetir que sou um fracasso.”

Perceba que a coluna da direita não promete transformação. Ela propõe um passo. E passos repetidos, com paciência, costumam levar mais longe do que grandes viradas que duram uma semana.

Por que metas grandes demais atrapalham

Quando a meta é grande demais, qualquer escorregão parece prova de fracasso. A pessoa pensa “se eu não consegui isso, não consigo nada” e abandona tudo. Na TCC, chamamos isso de pensamento tudo ou nada: ou é perfeito, ou não vale. Metas menores reduzem esse risco, porque deixam espaço para o dia ruim sem que o plano inteiro desmorone.

Quais são os sinais de que é hora de procurar terapia?

É hora de procurar terapia quando o sofrimento emocional começa a atrapalhar a sua vida: o sono, o trabalho, os relacionamentos, a vontade de fazer coisas que antes davam prazer. Também vale buscar ajuda quando um sentimento difícil dura semanas, quando você tenta lidar sozinho e não consegue, ou quando as pessoas próximas notam a mudança antes de você.

Você pode se reconhecer em alguns destes sinais comuns:

  • Você dorme mal com frequência, seja demorando para pegar no sono, seja acordando de madrugada com a cabeça a mil.
  • A preocupação com o futuro ocupa boa parte do seu dia e é difícil “desligar”.
  • Coisas que antes eram simples, como responder mensagens ou sair de casa, viraram um peso.
  • Você anda mais irritado, chora com mais facilidade ou sente um vazio que não sabe explicar.
  • Sintomas no corpo, como aperto no peito, tensão nos ombros ou dor de estômago, aparecem em momentos de estresse.
  • Você está usando comida, álcool, compras ou o celular para não sentir o que está sentindo.
  • Uma situação específica, como um término, uma demissão ou um luto, continua pesando muito tempo depois.

Nenhum desses sinais é um diagnóstico. Eles indicam que vale olhar com mais cuidado. Se vários aparecem juntos e duram semanas, a conversa com uma profissional pode ajudar a entender o que está acontecendo e qual é o melhor caminho.

Quando a ajuda precisa ser imediata

Existe uma situação que não pode esperar a consulta marcada. Se você estiver pensando em se machucar, em não estar mais aqui, ou se sentir que não está seguro, procure ajuda agora: o CVV atende pelo telefone 188, de graça e 24 horas por dia, e o SAMU pelo 192. Um pronto-socorro também é um caminho. Pedir ajuda nesse momento é um ato de coragem, não de fraqueza.

Mito ou verdade sobre saúde mental no começo do ano

Muitas ideias sobre saúde mental circulam como verdade, mas não ajudam quem está passando por um momento difícil. Separar o que é mito do que tem base ajuda a tomar decisões melhores sobre o próprio cuidado, inclusive a de procurar ou não um psicólogo neste começo de ano.

  • “Terapia é para quem tem problema grave.” Mito. A terapia também serve para autoconhecimento, para atravessar fases de mudança e para cuidar de sintomas leves antes que cresçam.
  • “Começo de ano é o momento ideal para mudar tudo.” Mito. Qualquer época pode ser um bom começo. Janeiro ajuda porque já vem com clima de recomeço, mas a mudança que dura costuma ser gradual.
  • “Cuidar do sono, da alimentação e do movimento faz diferença no humor.” Verdade. Esses hábitos não substituem tratamento quando ele é necessário, mas influenciam muito como a gente se sente no dia a dia.
  • “Falar sobre o que sente com alguém de confiança ajuda.” Verdade. Conversar organiza o pensamento e diminui a sensação de estar sozinho. A terapia é um espaço estruturado para isso, com escuta técnica e sigilo.

Como cuidar da saúde mental em janeiro, na prática?

Na prática, cuidar da saúde mental em janeiro começa por reorganizar a rotina depois das festas, escolher uma ou duas metas emocionais pequenas, reduzir a comparação nas redes e reservar momentos de pausa. Se os sintomas já estão atrapalhando a vida, o passo mais concreto é marcar uma avaliação com um psicólogo.

Um roteiro simples para as próximas semanas:

  1. Faça um balanço sem tribunal. Escreva três coisas que foram difíceis no ano que passou e três que você conseguiu atravessar. O objetivo não é se julgar, e sim enxergar o caminho com mais justiça.
  2. Escolha no máximo duas metas emocionais. Use a tabela acima como modelo. Duas metas cumpridas valem mais do que dez abandonadas.
  3. Reorganize o sono primeiro. Depois de semanas de festas e horários bagunçados, voltar a dormir e acordar em horários parecidos costuma ser a base para todo o resto.
  4. Faça um combinado com o celular. Pode ser não abrir as redes nos primeiros minutos do dia ou silenciar notificações à noite. Pequenas barreiras diminuem a comparação constante.
  5. Marque encontros que fazem bem. Uma conversa com um amigo, uma caminhada com alguém da família. Relações de qualidade são um fator de proteção importante para a saúde emocional.
  6. Observe o seu humor por duas semanas. Anote, de manhã ou à noite, uma palavra para descrever como você está. Isso ajuda a perceber padrões, como dias piores depois de noites mal dormidas.
  7. Decida sobre ajuda profissional. Se, ao olhar para as anotações, você perceber que o desconforto é frequente e intenso, esse é um bom momento para procurar terapia.

O que evitar no começo do ano

  • Fazer uma lista enorme de resoluções e se cobrar todas ao mesmo tempo.
  • Comparar o seu começo de ano com o recorte que os outros mostram nas redes.
  • Esperar “a vida acalmar” para cuidar de si. Ela raramente acalma sozinha.
  • Usar a culpa como motor. Ela até empurra por alguns dias, mas cansa rápido.
  • Ignorar sinais do corpo, como insônia e tensão constante, achando que vão passar sozinhos.

Aqui em Barueri e em Alphaville, vejo muita gente começar o ano já correndo: trânsito, trabalho, filhos, contas. Para muitas dessas pessoas, reservar uma hora por semana para a terapia acaba sendo o primeiro espaço do ano que é realmente delas.

Como a terapia pode ajudar neste começo de ano?

A terapia ajuda a entender de onde vêm a ansiedade, a autocobrança e o cansaço, a identificar os pensamentos que alimentam esse ciclo e a construir, com uma profissional, estratégias para lidar com eles no dia a dia. Não é um caminho com prazo garantido, mas é um espaço seguro e estruturado para cuidar das emoções.

No meu trabalho, uso a Terapia Cognitivo-Comportamental, uma das abordagens mais estudadas para ansiedade. Na prática, olhamos juntos para três coisas: o que acontece, o que você pensa sobre isso e o que você sente e faz a partir daí.

Imagine uma pessoa que, na primeira semana de janeiro, não consegue ir à academia como planejou. O pensamento automático aparece: “eu nunca consigo cumprir nada”. Vem a frustração, depois a vontade de desistir de todas as outras metas. Na terapia, a gente desacelera esse ciclo. Olha para o pensamento, procura evidências a favor e contra, e encontra uma forma mais justa de interpretar a situação: “eu falhei uma vez nessa meta específica, e posso ajustar o plano”. Parece pequeno, mas muda o que vem depois.

Em mais de 15 anos de prática clínica e mais de 16 mil atendimentos, percebo que muita gente chega ao consultório achando que precisava ter procurado ajuda antes ou que “nem é tão grave assim”. As duas ideias costumam atrapalhar. Não existe sofrimento pequeno demais para ser cuidado, nem momento atrasado demais para começar.

Se quiser entender melhor como é o atendimento, conheça a página de terapia para ansiedade em Barueri e saiba mais sobre a minha trajetória. Atendo presencialmente em Barueri e também online, para pessoas de todo o Brasil.

Dra. Mônica Belarmino, Psicóloga CRP 06/142333

E se este for o ano de cuidar de você de outro jeito?

O Janeiro Branco não pede que você vire outra pessoa em trinta dias. Ele convida a fazer uma pergunta honesta, “como eu estou?”, e a levar a resposta a sério. Isso pode significar dormir melhor, cobrar menos, conversar mais ou procurar ajuda profissional.

A página em branco não exige que você escreva um livro inteiro hoje. Só pede a primeira linha, escrita com cuidado.

Você não precisa de um plano perfeito. Precisa de um próximo passo possível, e de paciência para repetir esse passo nas semanas que vêm.

Se fizer sentido para você, me chame no WhatsApp para agendar uma avaliação, presencial em Barueri ou online.

Perguntas frequentes

O que é o Janeiro Branco?

É uma campanha nacional de conscientização sobre saúde mental que acontece todo mês de janeiro. Nasceu em 2014, em Uberlândia (MG), por iniciativa de psicólogos, e foi instituída por lei federal em 2023. A cor branca remete à ideia de uma página em branco, um convite para repensar a forma como cuidamos das emoções.

Por que a campanha de saúde mental acontece em janeiro?

Porque o começo do ano é um momento em que muita gente já costuma fazer balanços e planos. A campanha aproveita esse clima de recomeço para incluir a saúde emocional na lista de prioridades, ao lado da saúde do corpo, das finanças e do trabalho.

Preciso estar em crise para procurar terapia?

Não. A terapia pode ser procurada para entender melhor a si mesmo, lidar com uma fase de transição ou cuidar de sintomas que ainda estão leves. Buscar ajuda cedo costuma tornar o processo mais tranquilo, porque o sofrimento ainda não se acumulou por tanto tempo.

Como criar uma meta emocional realista para o ano?

Escolha uma meta pequena, concreta e que dependa de você, como dormir num horário mais regular ou reservar dez minutos por dia sem tela. Em vez de mirar um resultado grande, como nunca mais sentir ansiedade, foque num comportamento que você consiga repetir e observar ao longo das semanas.

O que fazer se eu estiver em crise agora?

Se você estiver pensando em se machucar ou sentir que não está seguro, procure ajuda imediata: ligue para o CVV no 188 (gratuito, 24 horas), para o SAMU no 192 ou vá a um pronto-socorro. Depois do atendimento de urgência, a terapia pode ajudar no acompanhamento.

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Dra. Mônica Belarmino

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