Primeira consulta com psicóloga: como é e o que falar
Por Dra. Mônica Belarmino, Psicóloga CRP 06/142333
Resposta rápida
A primeira consulta com psicóloga é uma conversa de avaliação: você conta o que trouxe você até ali, a psicóloga faz perguntas sobre sua história e rotina e, no fim, vocês combinam como será o acompanhamento. Você não precisa preparar um discurso. Pode começar dizendo exatamente o que está sentindo, inclusive o nervosismo.
Você finalmente decidiu procurar ajuda. Marcou o horário, ou está quase marcando, e agora vem aquele frio na barriga: o que acontece lá dentro? O que eu falo? E se eu travar? E se eu achar bobagem o meu motivo?
Se é isso que você está sentindo, saiba que é exatamente o que a maioria das pessoas sente antes da primeira consulta com psicóloga. E a resposta curta é tranquilizadora: você não precisa chegar preparado. A primeira sessão é uma conversa de conhecimento mútuo, em que você conta o que está vivendo e a psicóloga ajuda a organizar.
Vou contar como costuma ser esse primeiro encontro, o que você pode falar, o que eu costumo perguntar e como saber se a terapia faz sentido para você.
Se quiser tirar alguma dúvida antes de marcar, me chame no WhatsApp.
Como é a primeira consulta com psicóloga, do começo ao fim?
A primeira consulta costuma ter três momentos: uma acolhida inicial, em que você conta o que trouxe você até ali; uma parte de perguntas sobre sua história, rotina e relações; e um fechamento, em que a psicóloga explica como funciona o processo e vocês combinam frequência, horários e próximos passos.
Vou descrever cada parte para você visualizar.
A chegada
Você chega, se acomoda, e a psicóloga se apresenta. Muitas vezes, a primeira pergunta é simples: “o que trouxe você aqui?” ou “como você está?”. Não há resposta certa. Você pode contar a história desde o início, falar do que aconteceu ontem ou dizer apenas “não sei por onde começar”. Essa última frase, aliás, é uma ótima forma de começar.
O meio: entender quem você é
Depois que você fala do motivo principal, a psicóloga faz perguntas para entender o contexto. Esse momento tem um nome técnico, anamnese, que é basicamente uma conversa estruturada sobre a sua vida. Algumas perguntas comuns:
- Há quanto tempo você se sente assim?
- Como está o seu sono, a sua alimentação, a sua energia?
- Como é a sua rotina de trabalho ou de estudo?
- Com quem você mora? Como são as suas relações mais próximas?
- Você já fez terapia antes? Como foi?
- Faz algum tratamento médico ou usa alguma medicação?
- O que você gostaria que fosse diferente na sua vida?
Você não precisa responder tudo de uma vez, nem com detalhes que ainda não se sente à vontade para contar. Algumas coisas vão aparecer só depois de algumas sessões, e isso é natural.
O fechamento: os combinados
No final, a psicóloga conta como trabalha, qual abordagem usa e como será a frequência dos encontros. É o que chamamos de contrato terapêutico: valores, horários, política de faltas, formato presencial ou online e regras de sigilo. É também o momento de você fazer suas perguntas.
O que falar na primeira sessão de terapia?
Fale o que estiver mais vivo para você no momento: o que tem incomodado, desde quando, em que situações piora e o que você espera da terapia. Se não souber por onde começar, diga isso. Você também pode falar do nervosismo de estar ali. Tudo é material de trabalho, inclusive as dúvidas sobre a própria terapia.
Algumas pessoas gostam de levar anotações. Se for o seu caso, pode ser útil escrever antes:
- O motivo principal, em uma ou duas frases. Exemplo: “tenho me sentido ansioso no trabalho e não consigo desligar à noite”.
- Quando começou ou quando você percebeu que algo estava diferente.
- Situações em que piora e situações em que melhora.
- O que você já tentou para resolver sozinho.
- Uma frase sobre o que você gostaria de sentir daqui a alguns meses. Exemplo: “quero conseguir tomar decisões sem ficar dias remoendo”.
Não precisa ler a lista em voz alta como uma apresentação. Ela serve só para você não esquecer nada importante na hora.
E se o meu motivo parecer pequeno demais?
Esse é um medo muito comum: “tem gente com problema muito pior que o meu”. Mas a terapia não é uma competição de sofrimento. Se algo está atrapalhando a sua vida, a sua paz ou as suas relações, já é motivo suficiente.
Muita gente procura terapia não por uma crise, mas porque quer se conhecer melhor, tomar decisões com mais clareza, melhorar a autoestima ou entender por que repete certos padrões. Esse trabalho de desenvolvimento pessoal é tão legítimo quanto qualquer outro.
O que a psicóloga não vai fazer na primeira consulta?
A psicóloga não vai julgar você, dar sermão, obrigar você a contar o que não quer, nem resolver sua vida em uma hora. Ela também não vai dar um diagnóstico fechado logo de cara ou prometer prazo para você melhorar. A primeira consulta é de escuta e avaliação, e a construção vem com o tempo.
Vale desfazer algumas ideias que assustam:
- “Ela vai ficar só me olhando em silêncio.” Na Terapia Cognitivo-Comportamental, abordagem que eu uso, a conversa é ativa: faço perguntas, explico, devolvo o que percebi.
- “Vou ter que deitar num divã.” Não. Você senta numa poltrona ou num sofá, de frente para a psicóloga.
- “Ela vai me dizer o que fazer.” A psicóloga não decide por você. Ela ajuda você a enxergar opções e a decidir com mais clareza.
- “Vou ter que falar da minha infância logo de início.” Só se fizer sentido para você. Muitas vezes, começamos pelo que está acontecendo agora.
O que é sigilo e o que ele protege?
Sigilo é o dever da psicóloga de manter em segredo tudo o que você conta nas sessões. Ele está previsto no Código de Ética Profissional do Psicólogo e protege a sua intimidade. A quebra só é admitida em situações excepcionais, como risco grave à vida, e mesmo assim restrita ao estritamente necessário.
O artigo 9º do Código de Ética do Conselho Federal de Psicologia estabelece que é dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional para proteger a intimidade das pessoas atendidas. Na prática, isso significa que sua família, seu chefe, seu parceiro ou qualquer outra pessoa não têm acesso ao que você fala, a não ser que você autorize ou que exista uma situação de risco grave.
Saber disso costuma deixar as pessoas mais à vontade para falar. E, se você tiver qualquer dúvida sobre o que acontece com as informações que compartilha, pergunte na primeira sessão. É uma pergunta legítima.
Como saber se a terapia e a psicóloga são para você?
Depois da primeira consulta, observe se você se sentiu ouvido sem julgamento, se a forma de trabalhar foi explicada com clareza e se você sente que pode voltar e falar mais. Não precisa ser amor à primeira vista, mas precisa existir uma confiança mínima. Se não houver, procurar outra profissional é um direito seu.
O vínculo entre paciente e terapeuta, chamado em psicologia de aliança terapêutica, é um dos fatores mais estudados quando se fala de bons resultados em psicoterapia. Por isso, ele merece atenção desde o começo.
Algumas perguntas para fazer a si mesmo depois da sessão:
- Eu me senti à vontade para falar, mesmo que um pouco nervoso?
- Entendi como a psicóloga trabalha e o que vamos fazer?
- Saí com alguma reflexão nova, mesmo que pequena?
- Fiquei com vontade de voltar, ou pelo menos sem vontade de fugir?
Às vezes, a primeira sessão deixa a pessoa mais mexida do que aliviada. Isso também é comum: falar de algo guardado pode cansar. Não é sinal de que a terapia está errada.
O que acontece depois da primeira consulta?
Depois da primeira consulta, as sessões seguintes costumam continuar a avaliação por mais alguns encontros, até que a psicóloga tenha uma visão mais completa do que está acontecendo. A partir daí, vocês definem objetivos juntos e o trabalho ganha foco. A frequência mais comum é semanal, mas isso é combinado conforme a necessidade de cada pessoa.
Na TCC, essa fase tem um nome: formulação do caso. É quando a psicóloga junta as peças da sua história, dos seus padrões de pensamento e dos seus comportamentos atuais, e devolve isso a você em forma de um mapa. Muita gente descreve esse momento como “finalmente entendi por que eu faço isso”.
Com o mapa em mãos, definimos metas concretas. Em vez de “quero ficar bem”, algo como “quero conseguir falar em reuniões sem passar a noite anterior sem dormir” ou “quero parar de dizer sim para tudo e depois me arrepender”. Metas claras ajudam os dois lados a perceber se o processo está caminhando.
Também é comum que, entre uma sessão e outra, surjam pequenas tarefas: anotar situações que geraram ansiedade, observar um pensamento que se repete, experimentar um comportamento novo. Elas não são lição de casa de escola. Servem para levar o que acontece no consultório para a sua vida real, que é onde a mudança precisa aparecer.
Como se preparar para a primeira consulta, na prática?
Para se preparar, separe alguns minutos antes para anotar o motivo da busca, chegue com antecedência ou teste a conexão se for online, escolha uma roupa confortável e reserve um tempo depois da sessão para respirar antes de voltar à rotina. Não é preciso mais do que isso. O resto acontece na conversa.
Um passo a passo simples:
- Na véspera, escreva em poucas linhas o que você quer contar.
- Se for presencial, saia com folga para o trânsito. Em Barueri e Alphaville, o horário de pico pode surpreender.
- Se for online, escolha um lugar reservado, com porta fechada e fone de ouvido.
- Leve suas perguntas sobre valores, frequência, faltas e duração das sessões.
- Depois da sessão, evite marcar algo importante logo em seguida. Dê a você mesmo alguns minutos.
- Na semana seguinte, observe o que ficou ecoando. Isso é ótimo material para a segunda sessão.
O que evitar
- Ensaiar um discurso perfeito e se cobrar por não cumpri-lo.
- Esconder informações de saúde importantes, como uso de medicação.
- Ir à sessão com a ideia de “testar” se a psicóloga vai resolver tudo de primeira.
- Desistir após uma única sessão desconfortável sem conversar sobre isso.
- Comparar o seu processo com o de amigos que fazem terapia.
Como a terapia pode ajudar no seu desenvolvimento pessoal?
A terapia ajuda você a se conhecer melhor, entender por que reage como reage, identificar padrões que se repetem e construir novas formas de lidar com emoções, relações e decisões. Não é preciso estar em crise para começar. Muita gente procura a terapia para crescer, ganhar clareza e viver com mais coerência com o que valoriza.
Trabalho com a Terapia Cognitivo-Comportamental, com formação pela PUC e pelo CETCC. Nessa abordagem, olhamos juntos para a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Um exemplo simples: imagine alguém que recebe uma crítica no trabalho e pensa “eu nunca faço nada direito”. Esse pensamento gera tristeza e vergonha, e a pessoa passa a evitar dar opiniões. Na terapia, a gente identifica esse pensamento, avalia o quanto ele é fiel aos fatos e treina formas mais equilibradas de interpretar a situação.
Em mais de 15 anos de prática clínica e mais de 16 mil atendimentos, percebo que a primeira sessão é, muitas vezes, a mais difícil de marcar. Depois dela, a terapia vai ganhando um ritmo próprio. Cada processo é individual, e não há promessa de prazo, mas há acompanhamento, método e um espaço seguro para você.
Você pode conhecer mais sobre o atendimento na página de terapia de desenvolvimento pessoal e ler sobre a minha trajetória. Atendo presencialmente em Barueri e online para todo o Brasil.
Dra. Mônica Belarmino, Psicóloga CRP 06/142333
O primeiro passo é o mais pesado, e ele já está acontecendo
Se você leu até aqui, provavelmente já está mais perto de marcar do que imagina. O nervosismo não vai sumir completamente antes da primeira sessão, e tudo bem. Ele pode entrar junto com você no consultório.
Ninguém precisa chegar à terapia sabendo o que dizer. A terapia existe justamente para ajudar a encontrar as palavras.
Você não precisa ter certeza de nada para começar. Só precisa de um horário e de um pouco de coragem, que você claramente já tem.
Se fizer sentido, me chame no WhatsApp para agendar sua primeira consulta, presencial em Barueri ou online.